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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Pesca de arrasto altera o relevo dos fundos marinhos

Mäyjo, 29.12.13

Em apenas quatro décadas, a pesca de arrasto modificou radicalmente o fundo dos oceanos. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista Nature, realizado por investigadores da Universidade de Barcelona.

Uma equipa de investigadores do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Universidade de Barcelona analisou os efeitos da pesca de arrasto no fundo marinho, no talude continental superior entre 200 a 900 metros. Os resultados demonstram que o arrasto alterou a dinâmica natural dos sedimentos e simplificou a morfologia subaquática original.

Este estudo foi realizado no nordeste da costa da Catalunha, no desfiladeiro submarino de La Fonera, também denominado de Palamos. A equipa utilizou vários equipamentos oceanográficos para medir a suspensão de sedimentos marinhos, causada pelo efeito de arar exercido pelo arrasto.

Os investigadores descobriram que as principais alterações ocorrem em áreas submarinas da atividade da frota de arrasto. As áreas não frequentadas por esta frota mantêm o seu relevo natural, mais irregular.

O arrasto de redes no fundo marinho levanta as finas partículas que formam o sedimento superficial. “Os sedimentos tendem a ficar em suspensão (…) e a mudar para áreas mais profundas, contribuindo para a erosão e remodelação da grande inclinação”, explica Pere Puig pesquisador do CSIC, que trabalha no Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona.

Miquel Canals, professor de Geologia Marinha da Universidade de Barcelona, explicou que o arrasto converte ateua as diferenças de relevo dos fundos marinhos, o que é acompanhado de uma redução da rugosidade de fundo", explica Miquel Canals, professor de Geologia Marinha da Universidade de Barcelona.

As consequências deste método pesqueiro são diversas. Enquanto nalguns lugares do mundo, arrasam espécies, como corais de águas frias, “nos fundos sedimentares, algumas espécies comerciais, pelo menos nas nossas águas, não parecem ser afetadas de forma crítica”, referiu Joan Empresa Batista, investigador do Instituto de Ciências do Mar de Barcelona.

 

Para aceder ao resumo do artigo clique aqui.

 

Fonte: www.elmundo.es

 

in: Naturlink

Pescadores chamados a agir para reduzir as capturas acidentais de aves e mamíferos marinhos no mar português

Mäyjo, 29.12.13

Vão ser distribuídos gratuitamente manuais de boas práticas para evitar a captura acidental de aves e mamíferos marinhos aos pescadores de pesca local e costeira a operar em Portugal Continental. Estes manuais foram produzidos pela equipa do projeto MarPro que envolve diversas instituições nacionais.

Os pescadores que desenvolvem a sua atividade nas águas costeiras de Portugal Continental podem agora contribuir voluntariamente para a redução das capturas acidentais de aves e mamíferos marinhos. Portugal dá, assim, novos passos para a redução das capturas acidentais de aves e mamíferos marinhos com a produção dos primeiros manuais de boas práticas para artes de pesca a operar em águas lusas. Pequenas alterações podem reduzir substancialmente a captura acidental de espécies em perigo, como é o caso da pardela-balear e do bôto.

Os Manuais de Boas Práticas para evitar a captura acidental de aves e mamíferos marinhos vão ser distribuídos gratuitamente a todos os pescadores de pesca local e costeira a operar em Portugal Continental. Os manuais para Cerco, Palangre de fundo, arte de Xávega, Arrasto têm como objetivo incentivar os pescadores a adotarem um conjunto de medidas no sentido de aproximar cada vez mais a pesca nacional de uma atividade sustentável.

Golfinhos, baleias, focas, aves e tartarugas marinhas são espécies não-alvo da pesca, por vezes capturadas acidentalmente e devolvidas ao oceano, mortas ou feridas. Esta captura acidental é um problema global que resulta em desperdício de tempo e dinheiro para as frotas de pesca. Por outro lado é também uma ameaça para a sustentabilidade do ambiente marinho podendo contribuir para odeclínio de algumas espécies, facto que se torna de extrema preocupação quando se tratam de espécies em perigo de extinção.

A captura acidental de aves e mamíferos marinhos em artes de pesca é um  problema real e bem documentado. Em Portugal, e no âmbito do projeto MarPro, co-financiado ao abrigo do programa LIFE+ da União Europeia, investigadores e técnicos especializados estão a testar novas soluções que permitam reduzir o número de capturas acidentais. A compilação e seleção de diversas medidas, de comprovada eficácia noutros locais do mundo, foram adaptadas à realidade portuguesa e estão distribuídas por 5 Manuais de Boas Práticas que poderão ser utilizados pelos pescadores que operam na costa nacional.

O setor da pesca é um elemento chave na diminuição das capturas acidentais de espécies ameaçadas, sendo determinante a cooperação entre organizações de pescadores, investigadores, entidades públicas e não governamentais para a conservação da natureza. Os presentes manuais não são uma imposição legal, visto que soluções aplicadas voluntariamente pelos pescadores têm tendência a perdurar no tempo, produzindo melhores resultados.

Catarina Eira, coordenadora do projecto MarPro refere que “reduzindo as interações entre as pescas, golfinhos e aves marinhas, evitam-se também as perturbações para a própria pesca, seja por danos nas artes de pesca e no pescado capturado, seja pelo tempo acrescido em manobras para libertar os animais presos na rede”. Acrescentando ainda que “para garantir a sua
sustentabilidade, a pesca deve cumprir práticas que evitem a morte acidental de cetáceos e aves marinhas”.

“A implementação dos manuais de boas práticas está em total consonância com a gestão integrada e participada das pescarias, princípios consagrados na nova Política Comum de Pescas e também orientadores da Estratégia Nacional para o Mar” salienta Alexandra Silva, da equipa do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) um dos parceiros no MarPro. “Para manter o equilíbrio é fundamental ter em conta não apenas os recursos alvo da pesca, mas os ecossistemas marinhos no qual se integram; os pescadores têm capacidade de influenciar este equilíbrio e são também os principais interessados em mantê-lo”.

“A Europa é uma das regiões que necessita uma ação urgente” afirma Iván Ramírez, Coordenador do Programa Marinho da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). “Apesar de termos factos que confirmam a captura acidental de milhares de aves marinhas todos os anos, tem sido extremamente difícil ter apoio directo da União Europeia e da maioria dos Estados Membros
para ter uma ação eficaz que permita a mitigação da captura acidental de aves marinhas no terreno. Não podemos esperar mais tempo, e esperamos que este importante passo dado em Portugal, contagie os restantes Estados Membros.” 


in: Naturlink